Bière Brut – a efervescência cervejeira

Quando falamos de estilos de cerveja, muitas vezes nos deparamos com histórias de criações de receitas seculares. Pode até parecer que não há inovação no universo cervejeiro, principalmente dentre as escolas mais tradicionais.

Mas não é bem assim, e a Escola Belga prova isso com a Bière Brut, uma breja desenvolvida já no século XX na cidade de Buggenhaut, a noroeste de Bruxelas, capital da Bélgica.

A categoria foi criada pela cervejaria Bosteels, fundada em 1791 e já famosa pela produção das cobiçadas Tripel Karmeliet e Pauwel Kwak. A grande sacada dos cervejeiros da marca foi misturar processos de produção de diferentes bebidas.

Depois de fabricar a cerveja, o líquido (já precioso) foi levado para caves de produção de alguns dos melhores espumantes franceses, passando a breja pelo método de champenoise. Assim surgiu a DeuS Brut des Flandres, rótulo detentor de diversos prêmios e considerado por muitos como a melhor cerveja do mundo!

O que é o método champenoise?

Biere Brut

O método champenoise consiste em, depois da maturação da breja, envasá-la em garrafas de champanhe, adicionando extrato e fermento antes de fechá-la. A ideia aqui é realizar a segunda fermentação dentro da garrafa.

Parte desse processo é chamado de remuage, quando as garrafas são armazenadas numa inclinação de 45º com o pescoço virado para baixo. Durante semanas, chegando a meses, as garrafas são levemente giradas e têm a inclinação aumentada até que ela fique na vertical. Tudo isso manualmente!

Isso faz com que as leveduras fiquem concentradas no gargalo da garrafa, que então passa pelo dégorgement, que nada mais é do que congelar o gargalo para “expulsar” esse residual pela pressão interna criada. É ou não é uma verdadeira obra de arte?

A cerveja Bière Brut é a Champanhe belga:

Bière Brut

A cerveja base das Bière Bruts geralmente é uma Tripel ou uma Belgian Golden Strong Ale, brejas de elevado teor alcoólico, que promovem uma sensação seca na boca ao serem bebidas e apresentam aromas e sabores complexos, especialmente características de especiaria, florais e frutadas.

Depois de todo esse processo de vai e volta da Bélgica para a França, de vira e revira a garrafa e da segunda fermentação, a cerveja Bière Brut ganha principalmente mais carbonatação. Muito mais! Isso faz com que ela adquira uma sensação frisante e torne a breja mais leve, aproximando sua experiência sensorial a dos clássicos espumantes franceses.

Além disso, o fato de todo o residual de levedura ser retirado da garrafa, o líquido se torna extremamente límpido e brilhante. É um espetáculo servir a Bière Brut em uma taça fina e longa simplesmente para observar sua coloração e as bolhinhas que sobem como numa dança ensaiada.

Fora toda a sua beleza e efervescência, a Bière Brut é uma breja leve, seca, com acidez aparente, amargor e picância suaves e características sensoriais complexas que remetem a frutas, especiarias e notas florais. É, sem dúvida, uma cerveja delicada e sofisticada, que cai muito bem com saladas, frutos do mar e peixes e com potencial de embalar qualquer comemoração de fim de ano. Quem disse que a Virada de Ano precisa ser com champanhe?

Principais Bière Bruts nacionais e importadas:

Além da pioneira DeuS Brut des Flandres, outro rótulo que é referência mundial dentro do estilo é a Malheur Dark Brut. E os cervejeiros brasileiros fazem bonito quando o assunto é Bière Brut.

Uma das brejas brazucas do estilo mais reconhecida é a Wals Brut. Além disso, algumas cervejarias apostam em sua criatividade para explorar ainda mais esse legado belga, como são os casos da Morada, com a Cupuaçu Brut e a Double Viena Brut, e a Bodebrown, que possui linhas da categoria com base em IPAs e Sours.

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