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Roteiro Belga #2 – Achouffe, Dinant e Chimay

Na última edição falei sobre o tipo de roteiro e a intensidade cervejeira que você quer dar à sua viagem. Nesta segunda publicação da série, vou abordar o roteiro de viagem propriamente dito, em específico as cervejarias Achouffe, Dinant e Chimay.

A Bélgica é um país pequeno e, mesmo numa viagem de curta duração, você pode ir de um canto a outro para visitar algo que seja relevante na sua programação. Importante destacar que existe uma divisão cultural entre a parte norte – Flanders – e a parte sul – Wallonia.

Roteiro Belga #1 – Escolhendo sua viagem cervejeira

Há toda uma questão histórica que levou a isso, mas para nós, viajantes, o que devemos considerar é que no norte fala-se flamenco e no sul fala-se francês. E a maior parte das duas regiões fala também inglês. É comum em pequenos povoados falarem apenas a língua regional, então esteja preparado se comunicar de maneiras alternativas, mesmo que, assim como eu, seja com a linguagem dos sinais.

Ir à Bélgica atrás de cerveja significa visitar os mosteiros trapistas e foi com base nisso que planejei minhas viagens. Considerando que há cinco mosteiros nos Flanders – Westvleteren, Westmalle, Achel, La Trappe e Zundert, sendo os últimos dois na Holanda, muito próximo da divisa –, optei por começar pela Wallonia e deixar o melhor, em minha opinião, por último.

Cerveja por todos os lados

Então, a primeira parada é Achouffe. Trata-se de um pequeno vilarejo onde nasceu a cervejaria Chouffe e é possível agendar visita às suas instalações. As ruas, restaurantes e bares são todos decorados com gnomos. Parece mesmo que você está em um filme de fantasia.

Recomendo fortemente a hospedagem na La Vieille Forge, uma espécie de estalagem anexa à Brasserie Inter-Pol, a menor cervejaria oficial da Bélgica. São poucos quartos e cada um é decorado com tema de alguma cervejaria. Quando fiquei lá, ficamos no quarto da Duvel, uma experiência sensacional.

Também é possível visitar as pequeníssimas instalações da Inter-Pol, degustar os rótulos no mini-pub anexo e bater um papo com o mestre cervejeiro. Os restaurantes da região são todos muito recomendados, mas a costelinha de porco e a truta, pescada no lago do próprio vilarejo, servidas na La Grande Achouffe são magníficas.

Você pode usar este vilarejo como pernoite para visitar a Orval e a Rochefort, ambas à uma hora de carro. Na Orval não é tão fácil conseguir a visitação interna, mas mesmo a visita comum vale muito a pena. Não deixe de almoçar no restaurante na entrada da abadia e tomar o néctar direto da fonte.

A Rochefort é uma das trapistas mais reservadas, sem visitação ou café anexo. Com sorte, você conseguirá pegar a loja da abadia aberta e comprar algo. Então só vale a pena se você também for do meu time: que precisava conhecer de qualquer jeito, mesmo que por fora. Apesar disso, a abadia não fica longe da cidade e lá sim você pode provar as Rochefort nos cafés e restaurantes.

Acolhimento cervejeiro

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Ainda tomando a Achouffe como base, você pode visitar a Lupulus e a Fantôme. A Lupulus oferece visita guiada e degustação ao final – provavelmente a melhor degustação pós-visita que tive. Já na Fantôme para conseguir visitar as instalações precisa de uma boa dose de sorte. Porém, o bar é bem bacana e normalmente o dono está atendendo e explicando as cervejas que estão disponíveis no tap e em garrafa. Ambas ficam em regiões rurais, então não há muitas opções turísticas ao redor, mas as estradas e paisagens são encantadoras.

Outra cidade próxima que recomendo muito é Dinant. É super pequena e acolhedora, com montanhas de pedras ao redor das casas e o belo rio Meuse cortando a cidade. A arquitetura fantástica nos faz, mais uma vez, sentir-se dentro de um filme. Além da Abadia e do Museu da Leffe, a cidade conta com uma belíssima igreja gótica e o Citadelle: um forte em cima da montanha de pedra e que foi usado em algumas guerras.

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No fim da tarde, o melhor programa é tomar uma cerveja da região às margens do rio. Não deixe a cidade sem provar ou levar como decoração uma “couques de Dinant”, uma espécie de bolacha de mel toda decorada e típica da cidade. Quando fomos, nos hospedamos no Ibis e valeu muito: valor bem acessível e quarto com vista para o rio.

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À uma hora de Dinant fica o mosteiro que faz os rótulos da Chimay. Então você tem a opção de fazer um bate-volta ou de dormir no Auberge de Poteaupr – uma pousada anexa ao mosteiro e que eu recomendo muito. O restaurante da pousada serve cervejas e queijos Chimay e possui vários pratos harmonizados. Além da visita ao mosteiro, na cidade é possível visitar o castelo, a igreja e alguns bares. Um dia inteiro na cidade e mosteiro, com uma noite bem aproveitada na pousada é um ótimo passeio turístico e cervejeiro.

Por enquanto é isso. Até mês que vem, com mais roteiro belga. Santè!

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Escrito por Enzo Molinari

Administrador de empresas e amante da cultura cervejeira. Homebrewer, beer sommelier e sócio-cervejeiro da Fanky Folks

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